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Brasil deve chegar a uma frota de 15 mil caminhões a gás até 2030, diz executivo da Ultragaz

Mercado brasileiro, que atualmente tem cerca de 3 mil caminhões movidos a gás, pode quintuplicar até o fim da década, segundo Diego Gomes Gagnotto

Brasil deve chegar a uma frota de 15 mil caminhões a gás até 2030, diz executivo da Ultragaz
Diego Gomes Gagnotto, gerente executivo de gases renováveis e gerente geral da Ultragaz. Foto: Aline Feltrin
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O Brasil poderá chegar a 15 mil caminhões movidos a gás até 2030, ante os cerca de 2,9 mil veículos atualmente em circulação, segundo projeção apresentada por Diego Gomes Gagnotto, gerente de gases renováveis da Ultragaz, durante o Mercado Livre Experience, realizado em São Paulo em 24 de setembro.

A projeção representa um acréscimo de mais de 12 mil veículos em relação à frota atual. Segundo Gagnotto, o biometano deverá responder por uma parcela importante desse crescimento, principalmente em operações de logística dedicada, transporte pesado e longas distâncias.

A expansão do mercado ocorre em paralelo ao uso de diferentes tecnologias de propulsão na operação logística do Mercado Livre. A empresa informou ter cerca de 2 mil veículos elétricos no Brasil, dentro de uma frota de 4.500 elétricos na América Latina. No caso dos veículos movidos a gás e biometano, são aproximadamente 260 no Brasil, segundo informações apresentadas durante o evento, número ainda sujeito a confirmação.

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As tecnologias são direcionadas a diferentes tipos de operação. Os veículos elétricos estão concentrados principalmente na distribuição urbana, enquanto o gás e o biometano são utilizados sobretudo em transferências e operações de linha, que envolvem percursos mais longos.

Um dos exemplos apresentados no evento é a operação da Maroni, transportadora parceira do Mercado Livre. A empresa ampliou o uso de biometano por meio de uma reorganização das rotas. Em junho, passou de 22 para 108 veículos abastecidos exclusivamente com biometano em seu posto próprio.

Com a mudança, a operação passou a superar 1 milhão de quilômetros por mês utilizando biometano. Entre janeiro e agosto, a empresa calcula ter evitado a emissão de mais de 1.950 toneladas de CO₂. Segundo a Maroni, o volume equivale às emissões anuais de aproximadamente 1.350 veículos leves.

A ampliação ocorreu sem depender apenas do aumento da frota. A empresa remanejou rotas para aumentar a utilização do biometano e aproveitar a estrutura de abastecimento disponível. A estratégia permitiu ampliar a participação do combustível na operação de transporte dedicada ao Mercado Livre.

Inaugurado no fim de 2025, o posto próprio de biometano da Maroni tem capacidade para abastecer até 120 veículos movidos a gás por dia, segundo a empresa. A estrutura foi criada para dar escala à operação e ampliar a utilização do combustível no transporte pesado.

A Maroni iniciou sua estratégia de transição energética em 2019, quando passou a incorporar veículos movidos a gás à frota. A empresa ampliou gradualmente a operação nos anos seguintes e, com a evolução da tecnologia para o padrão Euro 6, aumentou novamente a frota. O avanço para o biometano ocorreu posteriormente, com a instalação do posto próprio e a ampliação das rotas abastecidas pelo combustível.

Para a Ultragaz, o crescimento do biometano está relacionado também à disponibilidade de matéria-prima no país. O combustível pode ser produzido a partir do aproveitamento de resíduos, e o Brasil possui potencial de produção associado à atividade agropecuária.

A Ultragaz iniciou sua atuação no mercado de biometano em São Paulo e atualmente está presente em oito Estados, trabalhando na conexão entre produtores e consumidores e no desenvolvimento da infraestrutura necessária para ampliar o uso do combustível.

Defesa contra oscilações internacionais

Segundo Gagnotto, a produção nacional de biometano também pode reduzir a exposição do transporte às oscilações do mercado internacional de derivados de petróleo. Diferentemente dos combustíveis derivados do petróleo, o biometano produzido no país não está diretamente sujeito às mesmas variações de câmbio e de preços internacionais.

A perspectiva é de que o crescimento ocorra principalmente nos segmentos em que o combustível apresenta maior aderência operacional. Segundo o executivo, o biometano deverá ter participação importante no mercado de veículos pesados, especialmente em logística dedicada e operações de longa distância.

FONTE/CRÉDITOS: Aline Feltrin

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