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As chuvas intensas registradas no Paraná nas últimas semanas têm ampliado os desafios enfrentados pelas empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), especialmente no Oeste do estado, onde a atividade está diretamente ligada ao agronegócio e à agroindústria. Além dos riscos nas rodovias, os fenômenos climáticos afetam a infraestrutura de carregamento e descarga, aumentam os custos operacionais e exigem cuidados adicionais para preservar a integridade das mercadorias transportadas.
Segundo levantamento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), 16 estações meteorológicas do estado ultrapassaram, nos primeiros 12 dias do mês, a média histórica de chuvas prevista para todo o período. Em Cascavel, o acumulado chegou a 267,4 milímetros, acima da média mensal de 239,5 milímetros. Em Foz do Iguaçu, foram registrados 372,4 milímetros, diante de uma média de 262,2 milímetros.
Para Eduardo Ghelere, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Oeste do Paraná (SINTROPAR), o cenário demonstra como as condições climáticas interferem diretamente na rotina das transportadoras e de seus clientes. “Estamos tendo um ano diferente, com eventos que vêm mudando as atividades e as decisões que tomamos no mundo da logística, tanto nas nossas empresas quanto nas operações dos embarcadores. Em Cascavel, as chuvas expressivas deste mês estão provocando prejuízos em todo o Oeste do Paraná”, afirma.
Um dos principais pontos de preocupação está nas condições oferecidas aos motoristas durante as operações. Em períodos de chuva intensa, a falta de infraestrutura adequada nos locais de carregamento e descarga pode dificultar o trabalho, aumentar o tempo de permanência dos veículos e expor os profissionais a situações de risco. Em propriedades rurais e unidades agroindustriais, por exemplo, o acúmulo de água e lama pode comprometer o acesso aos pontos de carregamento, estender o tempo das atividades e exigir cuidados adicionais.
Os reflexos também chegam à produção agropecuária. As chuvas e os ventos fortes podem comprometer lavouras, barracões, silos e outras estruturas utilizadas no armazenamento e na movimentação de produtos agrícolas. Como o transporte participa diretamente do escoamento dessa produção, eventuais perdas e interrupções podem alterar a programação de viagens, os volumes transportados e os prazos de entrega.
“A falta de estrutura adequada é ruim para toda a cadeia, mas quem mais sofre é o motorista, que está no dia a dia da operação. Em alguns clientes do agronegócio, ele precisa sair do veículo enfrentando muita lama ou até água na altura dos joelhos. São situações que mostram a necessidade de melhorar as condições de atendimento”, destaca Ghelere.
Diante desse cenário, a prevenção ganha ainda mais importância para as transportadoras. A inspeção dos veículos, a verificação das condições das lonas e o acompanhamento das etapas de carregamento e descarga são medidas que ajudam a reduzir a possibilidade de avarias, principalmente no transporte de produtos sensíveis à umidade, como farinhas e cereais.
Segundo o executivo, esses cuidados também estão relacionados à proteção financeira das empresas. “Como setor de transporte, precisamos nos estruturar para evitar prejuízos no dia a dia. O checklist dos veículos e a conferência das lonas passam a ser ainda mais importantes nessas épocas. Qualquer umidade em cargas como farinha pode comprometer a qualidade do produto, e até um pequeno furo na lona pode gerar problemas com a cobertura do seguro”, explica.
Além das possíveis avarias, os cuidados adicionais tornam as operações mais lentas e exigem maior atenção das equipes. Em um setor que trabalha com margens apertadas, o aumento do tempo de carregamento, a necessidade de inspeções e os riscos de perdas representam custos que precisam ser considerados pelas empresas. Nesse contexto, a integração entre transportadoras e embarcadores torna-se fundamental para antecipar dificuldades, ajustar procedimentos e garantir melhores condições para a movimentação das mercadorias.
A prevenção de riscos e o aprimoramento das operações também passam pela troca de conhecimentos entre os diferentes agentes do Transporte Rodoviário de Cargas. Nesse sentido, o SINTROPAR desenvolve iniciativas voltadas à atualização dos empresários e à aproximação entre transportadoras, especialistas e empresas que atuam no setor, promovendo discussões sobre segurança, gestão e desafios operacionais. Para o vice-presidente Eduardo Ghelere, essa aproximação é importante para fortalecer a atuação das empresas. “Ao SINTROPAR cabe conectar empresas e transportadores para trocar as melhores práticas e ajudar na comunicação em todo o segmento”, destaca.
Além das condições climáticas, o setor atravessa um período de maior profissionalização, marcado por exigências regulatórias e administrativas relacionadas à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ao piso mínimo de frete, ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e aos seguros. Embora essas obrigações demandem atenção, a eficiência das atividades de carregamento, transporte e descarga permanece essencial para a continuidade dos negócios.
Para Ghelere, o planejamento e o cumprimento das exigências precisam caminhar junto com a qualidade da execução operacional. “Não podemos esquecer que, antes de toda a burocracia, existe a operação: o dia a dia, a carga e a descarga. O foco do transportador que tem bons resultados é a execução bem-feita das suas atividades”, conclui.
Sobre a entidade
Há mais de 30 anos, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (SINTROPAR) vem buscando expandir a representatividade e a força que o segmento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) representa. Sediado em Cascavel (PR), o SINTROPAR tem o objetivo de oferecer serviços de qualidade aos associados, além de atender às necessidades e às demandas do setor e da sociedade.
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