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A previsão de aproximadamente R$5,9 bilhões para investimentos em rodovias e logística no orçamento paulista de 2027 amplia as expectativas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) em relação à modernização da infraestrutura estadual. Para o Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), a continuidade dos investimentos deve estar acompanhada de um planejamento que considere os principais gargalos logísticos do interior paulista, especialmente na região de Campinas, onde a circulação de mercadorias acompanha o crescimento da indústria e dos centros de distribuição.
Do montante previsto na proposta orçamentária, cerca de R$1,9 bilhão está destinado a duplicações e melhorias em rodovias estaduais, enquanto R$719 milhões devem contemplar a recuperação de estradas vicinais. Os recursos representam uma oportunidade para avançar na infraestrutura de transporte, mas também reforçam a importância de estabelecer prioridades, garantir a execução das obras e avaliar os resultados obtidos.
Para José Alberto Panzan, vice-presidente do SINDICAMP, os investimentos precisam considerar tanto a conservação da malha existente quanto a ampliação da capacidade dos corredores que concentram maior movimentação de cargas, como as rodovias Anhanguera,
Bandeirantes, Dom Pedro I e Santos Dumont, fundamentais para a atividade industrial e a distribuição de mercadorias na região.
Entre os pontos que exigem atenção, estão os congestionamentos recorrentes na Rodovia Dom Pedro I, especialmente no trevo de ligação com a Anhanguera, além do trecho da Anhanguera entre Sumaré e Americana e do acesso a Paulínia. Nas viagens em direção à capital paulista, também são observadas dificuldades na conexão da Bandeirantes com o Rodoanel e na chegada às marginais.
Segundo Panzan, essas situações exigem avaliações técnicas que considerem a implantação de faixas adicionais, adequações de trevos e alças, construção de marginais e melhorias nas conexões rodoviárias. A definição das prioridades deve levar em conta o volume de veículos, a participação do transporte de cargas, os índices de acidentes e a frequência dos congestionamentos.
"Na minha avaliação, os investimentos na região de Campinas precisam combinar conservação do pavimento, ampliação de capacidade nos pontos de maior demanda e modernização dos acessos. Anhanguera, Bandeirantes, Dom Pedro I e Santos Dumont são corredores importantes para a indústria e a distribuição de mercadorias, e precisam acompanhar o crescimento da região", destaca.
Os impactos dessas intervenções vão além da fluidez do trânsito. A melhoria das condições rodoviárias pode contribuir para reduzir o desgaste dos veículos, o consumo de combustível e os custos de manutenção, além de proporcionar maior regularidade às viagens e previsibilidade no cumprimento das entregas. Nas operações dedicadas, essa previsibilidade é especialmente importante, uma vez que o transporte acompanha diretamente a programação dos clientes.
A necessidade de modernização também envolve estruturas complementares às rodovias. Acostamentos em boas condições, drenagem, sinalização adequada, acessos seguros, estacionamentos para veículos de carga e áreas de descanso para motoristas são considerados elementos fundamentais para a segurança e a continuidade das operações. Além disso, os projetos precisam contemplar as conexões com indústrias, centros logísticos e municípios, evitando que a capacidade dos grandes corredores seja comprometida por acessos inadequados.
Com o início de um novo mandato estadual em 2027, a expectativa do SINDICAMP é que os projetos em andamento tenham continuidade e que os investimentos previstos sejam executados com cronogramas definidos, transparência e acompanhamento dos resultados. Para a entidade, o crescimento econômico e a expansão dos centros de distribuição no interior paulista exigem um planejamento de infraestrutura capaz de acompanhar o aumento da movimentação de mercadorias.
"Os investimentos precisam ter prioridades definidas, recursos previstos e transparência sobre a execução. Para o setor, é importante conhecer quais obras serão realizadas, seus prazos e os benefícios esperados. Isso permite acompanhar as entregas e planejar as operações durante as intervenções", afirma Panzan.
Nesse cenário, o SINDICAMP também pretende fortalecer sua atuação como interlocutor entre as transportadoras, o poder público e as concessionárias responsáveis pelas rodovias. Uma das propostas apontadas pelo vice-presidente é a organização de levantamentos periódicos sobre os principais gargalos enfrentados pelas empresas, reunindo informações sobre localização, horários, frequência dos problemas e impactos nas operações.
A iniciativa poderá contribuir para fundamentar demandas, identificar prioridades e acompanhar a efetividade das intervenções realizadas, aproximando as decisões de investimento das necessidades de quem utiliza diariamente a infraestrutura rodoviária. A proposta também reforça a importância de avaliar os investimentos não apenas pelo volume de recursos aplicados, mas pelos benefícios concretos que proporcionam à operação das transportadoras.
Para os próximos quatro anos, a entidade espera avanços na conservação das rodovias, na redução dos congestionamentos e na melhoria das condições de segurança, com reflexos positivos para a produtividade das transportadoras e para a economia regional.
"Também precisamos acompanhar os cronogramas e avaliar os resultados após as entregas. O valor investido é relevante, mas precisamos saber o que ele trouxe de melhoria. Nosso papel é colaborar com propostas e cobrar que as obras atendam às necessidades do transporte e da economia da região", conclui José Alberto Panzan.
Sobre a entidade
O SINDICAMP (Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região) foi fundado em 1983, com a finalidade de representar os empresários do ramo de transporte rodoviário de cargas e logística de Campinas e região, junto às autoridades em todos os níveis das administrações pública, privada, federal e estadual. Atualmente, representa 31 cidades da região.
Com sua sede localizada na cidade de Campinas, a entidade é classificada como o segundo maior sindicato do Estado de São Paulo, dentre os 14 que fazem parte da Federação das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo.
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