O governo federal identificou ao menos 24 principais problemas estruturais do transporte e da logística na Amazônia Legal. O diagnóstico faz parte da Avaliação Estratégica do PNL 2050: Problemas do sistema de transportes brasileiro. O documento reconhece entraves no escoamento de cargas, no abastecimento interno e na mobilidade regional, mas prioriza gargalos associados à exportação de commodities, especialmente grãos, cujo monocultivo tem previsão de triplicar na região pelas próximas décadas.
Os problemas listados pelo diagnóstico do Ministério dos Transportes darão origem aos futuros projetos de infraestrutura na região, e estão em consulta pública até domingo (18). Esta etapa deve subsidiar a definição das prioridades do plano e a seleção dos projetos que irão compor o cenário de investimentos em infraestrutura de transportes até 2050.
Entre os principais problemas listados estão dificuldades no escoamento de milho e soja de Rondônia, Mato Grosso, Pará, Goiás e da região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além de restrições logísticas em corredores que atravessam a Amazônia, como as bacias dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins-Araguaia. O documento associa esses entraves a limitações de rodovias, ferrovias, portos e à navegabilidade fluvial, agravada por eventos climáticos extremos.
Apesar disso, o diagnóstico não incorpora critérios socioambientais de forma estruturante, ignorando as contribuições de debates e processos participativos construídos com a sociedade civil em 2025. Ao adotar a metodologia de identificar problemas antes de propor projetos, o PNL 2050 avança no diagnóstico, mas ainda trata a Amazônia majoritariamente como território de passagem para o escoamento de grãos, sem aprofundar os efeitos desse modelo sobre os territórios atravessados, e demonstrando um olhar focado na venda para o mercado externo.
Especialistas alertam que reconhecer os gargalos logísticos é um passo importante, mas insuficiente, se não vier acompanhado de critérios socioambientais claros, análise de alternativas e amplos mecanismos de participação social desde as fases iniciais do planejamento. Organizações da sociedade civil também solicitaram ao Ministério dos Transportes a prorrogação por 15 dias do prazo da consulta pública, lançada em 18 de dezembro, durante o período de recesso de fim de ano.
Veja abaixo os principais problemas identificados na região da Amazônia Legal
- No caso do escoamento de cargas para exportação, o diagnóstico reconhece entraves logísticos relevantes em estados estratégicos da Amazônia Legal e de sua área de influência, como Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará e a região do MATOPIBA. A dificuldade identificada está relacionada principalmente em escoar grandes volumes de soja, milho e farelo de soja.
- Já no escoamento de cargas para o mercado doméstico, o governo aponta limitações na saída de produtos industrializados e siderúrgicos do Amazonas e do Pará, além de dificuldades logísticas no Acre. Esses gargalos afetam cadeias produtivas regionais e expõem a desconexão entre o planejamento logístico nacional e as necessidades econômicas locais.
- O diagnóstico também reconhece problemas estruturais no abastecimento interno, especialmente no transporte de insumos e produtos essenciais que chegam à Amazônia Legal. Estados como Amazonas, Roraima, Acre, Rondônia, Pará, Amapá, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul enfrentam dificuldades no fornecimento de fertilizantes, alimentos e bens básicos, produtos essenciais, o que encarece o custo de vida e amplia desigualdades regionais.
- No transporte de passageiros, o PNL identifica a exclusão de comunidades inteiras na região Norte, marcadas pelo isolamento territorial, pela concentração da malha aeroportuária em poucos centros urbanos, pela baixa integração aérea regional e pelas dificuldades de integração hidroviária. As longas distâncias até centralidades e a ausência de soluções adequadas de mobilidade aprofundam o isolamento social e dificultam o acesso a direitos básicos, como saúde, educação e serviços públicos.
Por fim, o plano aponta problemas abrangentes que afetam o sistema de transportes na Amazônia Legal, como a vulnerabilidade às mudanças climáticas, obstáculos à expansão das hidrovias, desafios à integração sul-americana, questões de segurança pública e o elevado custo logístico associado à sociobiodiversidade.

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